O câncer de pele é o mais frequente na população brasileira, sendo o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular os mais prevalentes. A escolha do tratamento depende de alguns fatores, como o subtipo do câncer de pele, a localização e as características microscópicas. De acordo com recomendações da NCCN (National Comprehensive Cancer Network), organização que faz os guidelines para o tratamento dos mais diversos tipos de câncer, quando localizados no rosto, os subtipos citados têm como primeira indicação de tratamento a cirurgia micrográfica de Mohs.
Para explicar sobre o procedimento, vantagens em relação à cirurgia convencional e para quais casos a cirurgia de Mohs é indicada, conversamos com o dermatologista do Centro de Oncologia do Paraná, Dr. Felipe Cerci. Confira e saiba mais sobre o assunto!
O que é a cirurgia micrográfica de Mohs?
A cirurgia micrográfica de Mohs, denominada também de cirurgia de Mohs, pode ser considerada a técnica mais precisa, efetiva e refinada para o tratamento dos subtipos mais frequentes do câncer de pele, o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular.
O procedimento se difere dos demais porque avalia 100% das margens cirúrgicas durante a cirurgia, apresentando altas taxas de cura. Além disso, como apenas a pele acometida é retirada, resulta em menores cicatrizes.
Na prática, o médico remove o tumor e faz avaliação microscópica das margens cirúrgicas imediatamente após sua remoção. O preparo das lâminas microscópicas leva cerca de 50 minutos. Caso alguma “raiz” fique no paciente, novo fragmento de pele é retirado exatamente no local afetado, até que o tumor seja removido por completo. A técnica permite que a cirurgia se inicie com uma pequena margem (1-2 mm) ao redor do tumor, o que preserva a pele sadia e reduz a cicatriz.
Por sua vez, quando é realizada a técnica convencional, é necessário remover uma margem de segurança maior, de 4 a 6 mm ao redor do tumor. Isso ocorre por dois motivos: a análise das margens é realizada dias depois da remoção e o exame das margens é por amostragem (cerca de 1% delas são avaliadas). Por essas razões, a cirurgia convencional gera cicatrizes maiores e possibilidade de o paciente precisar passar por outros procedimentos, nos casos em que células doentes permanecem no organismo.
No Brasil, a cirurgia de Mohs ainda é pouco difundida, porém há décadas é realizada em larga escala em países como os Estados Unidos, Canadá, Austrália e alguns países da Europa, graças à eficácia comprovada por inúmeras pesquisas científicas.
Para quais pacientes a cirurgia de Mohs é indicada?
De acordo com o American College of Mohs Surgery e a NCCN, são candidatos ao procedimento os carcinomas basocelulares ou espinocelulares com as seguintes características:
- localizados na face, principalmente ao redor dos olhos, boca, nariz e orelhas;
- mal delimitados clinicamente;
- recorrentes, ou seja, que voltaram após o tratamento;
- histologicamente mais agressivos (por exemplo, carcinoma basocelular infiltrativo);
- incompletamente excisados, o que significa que não foram removidos por completo anteriormente.
É importante frisar que apenas uma das características citadas já é o suficiente para a indicação da técnica, a qual deve ser realizada por dermatologistas com intenso treinamento em dermatopatologia e técnicas de reconstrução cutânea, como é o caso do Dr. Felipe.
O especialista afirma que, de maneira geral, a técnica é mais indicada para tumores localizados na face. A cirurgia de Mohs também pode ser usada para formas mais raras de câncer de pele.
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1 Comentário
Vou fazer a cirurgia dia 13 de agosto e fiquei muito mais tranquilo agora.🙏💯