Azia deve ser monitorada

Durante o último simpósio internacional sobre os cânceres gastrointestinais, realizado neste ano nos Estados Unidos, foram apresentados estudos que procuraram explicar um aumento inesperado na incidência do adenocarcinoma do esôfago (um dos tipos de câncer de esôfago).

Entre 1975 e 2005 a incidência do adenocarcinoma de esôfago aumentou em cinco vezes no Estados Unidos. Este aumento da incidência tem sido observado também em vários países. Estes estudos, de grande importância para a ciência e para a evolução dos tratamentos de câncer, relacionam os hábitos de vida atuais da população com o aumento da incidência da doença.

Existem dois tipos de câncer de esôfago, o carcinoma epidermoide, responsável pela maioria dos casos no Brasil e é associado com o tabagismo e o etilismo, e o adenocarcinoma associado ao refluxo gastroesofágico, que vem ganhando proporções cada vez maiores.

Agora, conclui-se que os hábitos de vida podem ajudar na prevenção, afinal, a obesidade e o sedentarismo estão aumentan-do o refluxo do líquido gástrico para o esôfago, causando a esofagite (inflamação da mucosa esofágica) e, em longo prazo, o câncer de esôfago.

“A conclusão e subsequente validação destes estudos de prevenção podem permitir um procedimento integrado e que alerta para a mudança de hábitos para uma vida mais saudável. Mais do que nunca, a importância de monitorar e procurar um especialista, quanto a sintomas como as queimações, mais conhecidas como azia. As orientações dos especialistas são necessárias para evitar que a esofagite evolua para um câncer”, explica a oncologista Mônica Stramare Pereira, diretora do Centro de Oncologia do Paraná, uma entre os dez brasileiros a participar do 7ª Simpósio de Câncer Gastrointestinal, em Orlando, na Flórida (EUA).

Os estudos mostram que todas as formas de refluxo tendem a ocorrer com uma frequência levemente maior em pessoas com um padrão de vida superior. O sobrepeso e a obesidade contribuem para o aumento da pressão intra-abdominal, promovendo o refluxo gastroesofágico, que compreende uma série de doenças relacionadas.

Para a especialista, um dos fatores mais importantes destacados pela pesquisa está na mudança de atitudes.

“Os estudos alertam para a atenção a sintomas e hábitos de vida que podem ocasionar o câncer de esôfago. Como consequência, tem havido um direcionamento para investigar estratégias de prevenção contra este câncer, através de intervenções que podem ser realizadas enquanto as lesões são curáveis”, completa a médica.

Publicado em 16/05/2010 nos sites Plena Mulher, Segs, Cinemaskop, Bem Paraná, Universo da Mulher no jornal O Diário do Norte do PR